QUEILA ARIADNE(JORNAL O
TEMPO)
O Norte de Minas Gerais já está acostumada a conviver com a seca. Mas,
há pelo menos três anos sem chuva suficiente até mesmo para crescer a pastagem
e engordar o gado, os pecuaristas têm que antecipar a venda dos bois para
evitar perdas. O gerente regional da Empresa de Assistência Técnica e Extensão
Rural de Minas (Emater) de Montes Claros, Ricardo de Micheli, calcula que, em
um ano, um milhão de cabeças saíram da região. O volume equivale a um terço do
rebanho local e é uma vez e meia maior do que a média usual de vendas.
“Normalmente, em um ano saem cerca de 400 mil cabeças”, estima.
O presidente da Sociedade Rural, Osmani Barbosa Neto, explica que a saída é para evitar a desvalorização. “Vendemos para outras regiões de Minas, como o Triângulo, e também para outros Estados como Goiás, Mato Grosso e São Paulo.”
O presidente da Sociedade Rural, Osmani Barbosa Neto, explica que a saída é para evitar a desvalorização. “Vendemos para outras regiões de Minas, como o Triângulo, e também para outros Estados como Goiás, Mato Grosso e São Paulo.”
O coordenador técnico de bovinos da Emater, José Alberto Ávila, explica
que essa é a alternativa. “Sem chuva, a dimensão do estrago é enorme, pois o
capim não resiste e é preciso retirar o gado antes que ele morra também. É uma
venda preventiva. Mesmo com um preço menor, é melhor do que perder 100%”,
justifica Ávila.
Segundo o pecuarista João Gustavo de Paula, de Montes Claros, os preços
só não desvalorizaram tanto porque uma isenção de ICMS concedida pelo governo
mineiro garantiu a competitividade. Em março deste ano, o ICMS foi reduzido de
18% para 4% para venda de gado para outros Estados. “O problema é quando, pela
falta constante de chuva, todo mundo resolve vender de uma única vez. A oferta
aumenta e o preço cai. Com essa medida, o Estado conseguiu aumentar a
concorrência, pois abriu o leque de compradores de fora de Minas, ao retirar o
imposto e deixar o preço mais baixo”, explica João.
Ele afirma que a situação é ainda pior para quem não tem condições de
fazer uma reserva de alimento para o gado. “Quando o produtor consegue se
preparar, tudo bem. Mas, quando não consegue, o gado chega a morrer”, afirma o
pecuarista.
Agricultura. A agricultura
também não escapou dos efeitos da seca. “Em cidades como Janaúba, as perdas
chegaram a 100%, mas podemos dizer a média foi de 80%”, afirma de Micheli. “A
agricultura do Norte é praticamente toda irrigada, mas ainda assim foi afetada
porque, com a falta de chuva, o nível dos rios como o São Francisco baixou e
comprometeu a irrigação”, destaca João.
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